O que faz de brilhante aqui é humanizar ambos os lados. Pete Seeger (Norton, em atuação digna do Oscar) é mostrado nos bastidores quase em lágrimas, não por ódio, mas por medo de que o "garoto" estivesse destruindo a missão política da música folk. Do outro lado, Dylan está rindo. Não de deboche, mas de liberdade.
Este artigo explora por que esse longa é mais do que uma cinebiografia; é um estudo sobre a fama, a identidade e o direito inalienável do artista de se reinventar.
Em , não assistimos ao Bob Dylan septuagenário e sábio. Somos transportados para o fervor cultural do início dos anos 1960, quando um jovem de 19 anos, com um violão e uma gaita no pescoço, desembarcou em Nova York vindo da gelada Minnesota. O filme, adaptado do livro Dylan Goes Electric! de Elijah Wald, foca em um período crucial: a meteórica ascensão do artista folk até o momento do "grande choque" em 1965, quando ele plugou sua guitarra no Newport Folk Festival e foi vaiado por aqueles que antes o chamavam de "profeta". Um completo desconhecido
Na vastidão das nossas interações sociais, navegamos constantemente entre o familiar e o estranho. A família, os amigos próximos e os colegas de trabalho compõem o nosso "mundo conhecido", um lugar de relativa segurança e previsibilidade. No entanto, basta atravessar uma rua, entrar num ônibus ou abrir uma rede social para nos depararmos com a figura enigmática de "um completo desconhecido".
Chalamet captura a cadência de fala evasiva de Dylan, o sotaque que ele mesmo inventou, a postura encolhida que era, ao mesmo tempo, defensiva e agressiva. Mas o ator vai além. Ele mostra o cansaço da fama, a crueldade silenciosa com que Dylan se afastava de amantes e amigos, e a solidão fria de um apartamento vazio em meio ao sucesso estrondoso. O que faz de brilhante aqui é humanizar ambos os lados
Aqui está um artigo completo e detalhado sobre a expressão e o conceito de "Um completo desconhecido".
A sequência mais aguardada do filme é, sem dúvida, o Festival de Newport de 1965. Para o público tradicional do folk, Dylan era a voz da pureza acústica. Quando ele sobe ao palco com uma banda de rock — guitarras elétricas, bateria pesada, distorção — a multidão se divide. Gritos de "Judas!" ecoam. Não de deboche, mas de liberdade
Mangold conseguiu o impossível: fez um filme que explica muito sobre o artista, mas que, paradoxalmente, restaura o véu do mistério. Ao sair do cinema, você saberá mais sobre a New York dos anos 60, sobre a política do folk e sobre o preço da genialidade. Mas sobre Bob Dylan? Ele continua lá, na penumbra do palco, com os óculos escuros e um sorriso irônico.